Dizem que existe uma dialética do amor com a presença e ausência, qual será a verdade? Não sei. Mas sei que pode existir, sim, amor na ausência. E não pela falta, pelo desamparo, pelo abandono. Mas pela saudade. Saudade dos momentos vividos e que não podem mais existir. Saudade de quem construiu o caminho, de quem plantou afeto, de quem cuidou daqui. Saudade de quem não chegou a existir no mundo, mas existiu no coração e no corpo. Eu tenho amor pelo pé de manga da minha infância, do meu casamento. Tenho amor pelos meus avós, pelos meus tios, pelos anjos que estão no céu e que foram nossos em algum momento. Eu lembro deles na falta que o cheiro, que o gosto, que o som da voz faz. Eu tenho carinho e transbordo de sentimento mesmo com a cadeira vazia, porque na voz a gente relembra cada história. Eu não tenho medo de falar de quem se foi, muito menos de quem não chegou, eu tenho a paz no coração de quem amou até o último minuto, porque a presença é só a materialização do afeto, o canal de condução do amor. O amor mesmo é intangível, inegociável, indescritível.
ROR
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