➸ Mulher Vermelha ♥

Cada vez que escrevo um bom poema é mais uma moleta que me faz seguir em frente.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Cantando pra você

Diana dorme em seu berço, sozinha, desde que minha mãe nos deixou, no resguardo. Desde então, mesmo com as infinitas noites com ela grudada no meu peito, ela sempre começou e terminou suas noites no seu cantinho. Aos poucos foi ganhando maturidade, espaço e, sem perceber, em cada momento nos despedimos um pouco mais. Com seis meses as mamadas noturnas viraram mamadeiras, ela já sabia segurar e adormecer sozinha. Com um ano, aprendeu a bater no próprio bumbum, mas como num pedido de abraço sempre pedia antes que eu saísse do quarto: “Mamãe, bumbum”, pra eu bater e cantar “dorme nenem da vovó”. Da vovó, não da mamãe. Eventualmente do papai, da Ti, da vovó, muito raramente da mamãe, pra quem ela pedia que cantasse. E eu cantava. Hoje, logo após nossa oração, dei boa noite e sai do quarto. Ela não pediu que voltasse pra bater no bumbum, não chorou, só abraçou o Mickey e seu mama, adormeceu. Sem perceber nos despedimos mais um pouco, ou talvez não, talvez se lembre amanhã, depois. Não sei. Só sei que por mais que ela cresça, continuarei cantando dentro do meu coração para que ela durma com os anjos.

Renata,

quarta-feira, 13 de maio de 2026

o trem que chega é o mesmo trem da partida

Daqui dois dias Diana faz 2, estou num carro desconhecido a caminho de um bar desconhecido, apreciando as luzes da cidade que eu amo. Eu quero estar aqui, estou feliz por estar aqui, mas meu coração ainda sente culpa e desconforto por isso. Não deveria, ou sim? Não é a primeira vez que eu sinto este tipo de agonia. Ela está numa casa quente e com todas as necessidades atendidas, meu amor também, mas o coração da mãe se machuca cada vez que precisa dividir. Dividir o espaço que é dela, dividir a Renata de antes e a de agora, que ainda vivem na mesma pessoa.


r.



Essas palavras que eu escrevo, me protegem da completa loucura.